20.3.07

Umbanda tem Fundamento!

“Umbanda tem fundamento, é preciso preparar...”

Aqueles que já foram em algum terreiro de Umbanda certamente já escutaram um pedaço desse ponto cantado.

Mas quais seriam os fundamentos da Umbanda? Aliás, quem codificou a Umbanda? Existe codificação? Por que não existe codificação? Por que todos os terreiros de Umbanda são diferentes uns dos outros? Onde estão então os fundamentos?

Essas são perguntas comuns entre os iniciantes.

Escutei várias pessoas dizendo que a Umbanda precisa de unificação, codificação.

Sinceramente, meu entendimento é adverso a esse pensamento.

A Umbanda é uma religião brasileira. E como o povo brasileiro, a Umbanda não poderia ser diferente. É a mistura. É o intercambio cultural. É a miscigenação.

A Umbanda não é codificada. E nem poderia ser. É como se pedissem uma descrição do povo brasileiro. O povo brasileiro é alto e baixo. O brasileiro pode ser negro, branco, ou amarelo ou vermelho. Olhos castanhos, azuis, verdes, mel. Olhos grandes ou puxados.

Assim também é a Umbanda. Não existe um padrão das formas (entendam-se formas os rituais Umbandistas).

Porém, podemos falar que o brasileiro é alegre, radiante, feliz por natureza, otimista, amigável, pacífico. A Umbanda também. Todos os terreiros de Umbanda devem (ou deveriam) ser assim.

Conseguem entender por que não se consegue codificar a Umbanda?

Mas se não se consegue codificar os rituais, como seria possível então unificar os terreiros? Deixá-los todos da mesma forma? Também não é possível. Seria como conseguir estereotipar o brasileiro, que perderia então todo o seu encanto.

Pelo mesmo motivo perderíamos toda a beleza da Umbanda.

Certamente os falsificadores de passaporte preferem colocar o Brasil como país natal. Assim como na Umbanda muitos mistificadores, charlatões, pessoas de má-fé podem ser encontradas.

Porém em momento algum dizemos que o brasileiro é bandido. Nem a Umbanda uma religião de charlatões.

E os fundamentos? Eles existem? Quais seriam? Cada casa tem seu fundamento?

Certamente os fundamentos existem. E são simples: fé, amor, caridade. O resto é resto!

Tudo o que é feito na Umbanda tem essa missão. Desenvolver a fé, o amor e a caridade.

Pensemos nisso tudo!

Grande amplexo!

7.1.07

Orixá Regente do Ano...

Todo início de ano é a mesma coisa. À meia-noite, geralmente do horário de verão em Brasília, no dia 31 de dezembro, muitos trabalhos na praia, tendas de Umbanda fazendo gira à beira do mar, pessoas pulando sete ondas, jogando flores para Iemanjá, soltando barquinhos com oferendas. Tudo muito bonito.

A demonstração da fé do brasileiro pulando ondas e jogando rosas, comendo lentilha e uvas. Isso é bonito. Mas com o amanhecer do dia primeiro do ano novo, muita sujeira, garrafas espalhadas, barquinhos que voltaram do mar, pedaços de flores e frutas na praia. Isso não é bonito.

Os diversos terreiros com tendas improvisadas na areia fazendo suas giras, cantando pontos, o som dos atabaques ecoando e se misturando com o som das ondas e da brisa do mar, demonstrando o amor à religião, dando passes, mostrando a cara da Umbanda. Isso é bonito.
Mas cada tenda improvisada tentando mostrar que tem poder, que as entidades são as melhores, com as melhores capas, roupas, adornos; com faixas similares àquelas de “Aluga-se casa na praia, tratar aqui” na frente, com a visível percepção de que cada médium está na gira pensando que poderia estar festejando a chegada do novo ano, tomando um espumante. Isso não é bonito.

Ainda no dia primeiro, ou até antes, alguns programas de televisão se antecipam o convidam os pais e mães de santo mais “famosos?!” para entrevistas. Perguntam sobre o Brasil, sobre a política, economia, futebol, Silvio Santos, Faustão, Lombardi. Então a tal mãe não sei o que de Iemonja Ogun-té responde tudo jogando búzios.

Então chega a pergunta que nunca é esquecida. Quem será o Orixá regente do ano? Quem? Oh dúvida cruel! Quem será? Qual deles foi escolhido por Olorum para brincar com seus “bonequinhos” (nós)? É uma febre. Umbandistas consultando candomblecistas, astrólogos entram no meio para tentar “ajudar”. Então alguns dizem ser Exu (porque o ano termina com 7). Outros diz ser Xangô (porque 2007 será regido por Júpiter). Outros dizem Iansã, outros Ogum, outros Obaluaiê, outros Oxossi, outros Oxaguiã e assim por diante. No final, cada um fala uma coisa diferente. As listas de Umbanda ficam recheadas com explicações fundamentadas. Cada um defendendo sua teoria de que o Orixá eleito é o que foi anunciado por ele mesmo.

Afinal, quem seria realmente o Orixá regente do ano de 2007?

Antes de responder essa pergunta vou explicar minhas premissas. Não jogo búzios, não sei nada sobre os astros, planetas, estrelas, etc., além dos ensinamentos adquiridos durante as aulas de geografia no colégio. Porém acredito no livre e arbítrio, na lei das afinidades, na força dos Orixás, na interferência energética, nas Leis de Kirchoff e Àmpére, nos enunciados de Tesla, na física moderna (da qual sou apenas um admirador e não conhecedor), na lei da causa e efeito (ou carma, ou 3ª Lei de Newton), na reencarnação. Não acredito nas coincidências nem no destino.

Então lá vai a resposta que todos querem saber. O Orixá regente desse ano é:

VOCÊ.

Isso mesmo. Eu sou o regente do meu ano, assim como você será o regente do seu ano. É uma conclusão simples. Vou explicar.

Como não existe destino (o destino somos nós quem escrevemos diariamente), deveremos tomar decisões (livre arbítrio), enfrentar as conseqüências dos atos que praticamos durante nossa vida (efeito). Certamente a Terra estará envolta, como sempre esteve de muitas energias e talvez uma se sobressaia mais durante 2007. Mas isso dependerá das nossas atitudes (causa). Seremos influenciados ou não por essas energias se quisermos (afinidade energética). Acredito que todos os Orixás estarão (e sempre estiveram) presentes em todos os anos. Acredito que o ano será de Ogum para aqueles que forem à luta, tiverem coragem, buscarem seus ideais. O ano será de Xangô para aqueles que agirem de maneira coerente, baseados na lei de Deus. Por Iemanjá, por Oxossi, por Exu, dependendo de cada um.

Cada um de nós escolherá qual o Orixá regente de 2007.

Eu escolhi que serei regido por todos os Orixás. Quero agradar todos os Orixás, receber o axé de cada um deles e viver como eles gostariam que eu vivesse.

Simplesmente escolhi que esse ano serei (continuarei) feliz, partilhando momentos agradáveis com minha família, com meus amigos (a família escolhida). Partilhando os momentos de dificuldades com todos também. Escolhi que no dia 31 de dezembro de 2007 eu não terei nenhum plano, pois terei executados todos durante 2007. Escolhi viver, agir, conhecer, compartilhar, confraternizar, valorizar, amar.

E Você? Já escolheu qual será o Orixá regente de 2007?


Amplexos e ótimo 2007 para todos!